O RIO e O MAR

Nasci pobre, pobrezinho
qual filigrana de luz
ou como lágrima triste
neste cantinho da Serra.

Fui correndo de mansinho
Crescendo devagarinho.

Já não sou simples nascente
Sou fonte para o sedento,
sou ribeiro pequenino
e conforme vou crescendo
começo a chamar-me RIO.

Minhas margens são tão calmas
Cheias de vegetação
Ou abruptas, escarpadas
onde guardo meus tesouros
e muita recordação.

Correndo, correndo vou…
Passando por muitas gentes
Tantas terras tão diferentes
Tão distante da nascente.

Ouvi então marulhar…
Que estará ali na frente
Mal esta curva eu passar?
É destino diz a gente
O RIO ir parar no MAR…

Solto então em correria
Louca, louca sem ter fim
Sinto uma grande atração
É como forte paixão
Esta de encontrar o MAR.
E continuo a correr
E continuo a galgar
Numa louca correria
Sem nunca querer parar.

Qual embriaguês total
Sinto um cheiro a maresia
Olho ao longe a imensidão…
Parece que vou morrer,
Já não me chamo mais RIO
Mas continuo a correr…

O MAR
estreita-me em seus braços
a alegria é total
Serena meu coração
descanso então de mansinho
sei que já não sou mais RIO
mas a morte não existe
eu continuo a correr…
Eu sou só transformação.

ALUENA / Portugal
12/12/2004 – 20h30

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